O amor só morre por suicídio

Amitrano

É possível que o amor venha a falecer? Estou especificamente falando daquele tipo de amor que na nossa língua portuguesa chamamos de ‘’amor romântico’’. Enfim, o amor que um dia sentimos por alguém  (que nos tirava o fôlego, que nos fazia sonhar, que nos arrepiava)  pode deixar de existir?

Por que tantos casamentos de pessoas que declaravam amor eterno se desfazem diariamente? Bem, muitas são as perguntas e nem sempre temos respostas para todas, mas baseados na experiência de escuta e observação que a vida nos proporciona, chegamos à conclusão pessoal de que, sim, o amor pode morrer… Mas nunca de morte natural.

O amor é um sentimento eterno que traz, em sua gênese, o dom da imortalidade a menos que nós mesmos o matemos enterrando- o vivo. É o suicídio do amor.

Começa quando através do trato, das palavras grosseiras, das ofensas diárias, vamos a cada gesto jogando terra sobre ele. É claro que o dia a dia e suas múltiplas dificuldades nos impedem de sermos polidos o tempo inteiro, mas devemos lutar contra isso e estar cientes de que essa atitude, pá a pá, enche de terra o amor que um dia tanto alegrou a nossa vida.

O amor se suicida quando tentamos mudar a pessoa amada e fazê-la à nossa imagem e semelhança. É muito interessante a capacidade que temos de destruir no outro aquilo que nos encantou. Possivelmente pelo medo de que outras pessoas se encantem também. Uma forma de vestir, de falar, de sorrir, de se comunicar… A ousadia de emitir opiniões próprias e bem elaboradas… Tudo isso que nos despertou interesse na pessoa amada pode ser um alvo de destruição porque o nosso narcisismo primário impede a existência de ‘’um outro’’ tão outro num relacionamento tão íntimo.

É claro que todo relacionamento conjugal e familiar cria naturalmente os seus próprios complexos e regras que nos adaptamos no decorrer da relação, mas falamos de mudar a essência da pessoa amada. Isso, sim, é uma grande armadilha para o suicídio do amor.

E assim caminha a humanidade. Entre separações, divórcios e ‘’novas oportunidades’; vamos avançando. Procurando sempre no outro o espelho de nós mesmos. Sepultando o amor que um dia brilhou como o raio da alva; sem saber que o matamos com ações e egoísmo e guardamos ainda em nosso armário interior a pá suja de terra do relacionamento anterior.

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Vou Com ou Sem?

Amitrano

Aline é uma morena linda. Daquelas que param o trânsito quando passam em qualquer lugar. Um metro e setenta e nove de altura, coxas grossas e bem torneadas, a bunda durinha e empinada, os seios duros cujos bicos parecem que vão furar a roupa… A cor de bronze natural faz inveja em muitas outras que ficam horas a fio ao sol tentando se colorir.

Não há uma pessoa que passe perto dela que não a perceba. Os homens, com os olhos gulosos e as mulheres, com ciúmes ou inveja.

Acontece que Aline foi convidada para o casamento de sua melhor amiga e comprou um vestido lindo. Era um longo, verde, rendado e bem justo ao corpo… Marcando assim as suas curvas perfeitas.

Mas, ao olhar- se no espelho, surgiu uma dúvida: ‘’Vou com ou sem’’? Afinal, o vestido era lindo e não merecia nada que estragasse aquele visual. Nenhuma marca ou algo que pudesse macular aquela imagem perfeita.

Entretanto, essa dúvida atroz, levou Aline a fazer uma pesquisa entre os seus amigos e usou todas as redes sociais. Era inacreditável, mas a pergunta que mais bombou na internet naquela semana do casamento era exatamente essa: ‘’Vou com ou sem?’’

Imagine a situação… Cada um dava a sua opinião. A questão saiu, inclusive, do âmbito pessoal e passou a ser político. Houve os defensores do ‘’com’’ e os apoiadores do ‘’sem’’.  Moralistas e modernistas… Direita e esquerda se digladiaram… Era quase meio a meio…

Mas o bom senso de Aline falou mais alto e ela decidiu ir com. Afinal de contas, não usar máscara numa pandemia como essa, deve estar acima da questão estética…

 

Artigo escrito em agosto de 2020 em meio à pandemia do Corona Vírus quando o uso de máscara era obrigatório.

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Um Grande Equívoco do Pequeno Príncipe

Amitrano

Todos conhecemos o livro de  Antoine de Saint Exupéry , O Pequeno Príncipe… Com certeza, podemos tirar muitas lições de vida desse livro que conta a história de um homem que se encontra com o seu “eu criança”.

Mas, uma frase que repetimos de cor, vem sendo reconhecida como uma grande verdade, quando tem se demonstrado um grande equívoco e levado culpa a muita gente: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”… Vejamos essa afirmação:

Primeiro, a questão da responsabilidade. Na verdade, não somos responsáveis por cativar ninguém. Cada um é cativado pelo próprio desejo.

Deixamo-nos cativar porque achamos que nos oferecendo ao outro, encontraremos nele algo que nos completa. Ou seja, o cativado se coloca nessa posição porque de alguma maneira é também recompensado por isso. Dessa forma, ambos são responsáveis pela conquista. Por isso, quando conquistamos ou somos conquistados, precisamos entender e aceitar a nossa própria responsabilidade nesse processo.

Segundo, a questão do “eternamente”…  Nada mais aprisionador e ameaçador do que essa palavra. “Nunca diga nunca’’ e ‘’pra sempre sempre acaba”. São frases sábias.

Não devemos nos prender a ninguém sob o pretexto eterno, simplesmente por culpa ou por nos sentir responsabilizado. Liberdade! A boa relação é renovada ou, não; a cada dia. É claro que não estamos falando de falta de compromisso. Antes, de um compromisso maduro baseado no amor voluntário e não, na culpa.

Enfim, em alguns pontos, o pequeno príncipe precisa crescer e amadurecer. Especialmente, quando se fala em conquista. Que ela seja responsável de ambos os lados e que, como diz o poeta, seja eterna enquanto dure. E tomara que dure muito.

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