Um Grande Equívoco do Pequeno Príncipe (clique aqui pra comentar)

Amitrano

Todos conhecemos o livro de  Antoine de Saint Exupéry , O Pequeno Príncipe… Com certeza, podemos tirar muitas lições de vida desse livro que conta a história de um homem que se encontra com o seu “eu criança”.

Mas, uma frase que repetimos de cor, vem sendo reconhecida como uma grande verdade, quando tem se demonstrado um grande equívoco e levado culpa a muita gente: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”… Vejamos essa afirmação:

Primeiro, a questão da responsabilidade. Na verdade, não somos responsáveis por cativar ninguém. Cada um é cativado pelo próprio desejo.

Deixamo-nos cativar porque achamos que nos oferecendo ao outro, encontraremos nele algo que nos completa. Ou seja, o cativado se coloca nessa posição porque de alguma maneira é também recompensado por isso. Dessa forma, ambos são responsáveis pela conquista. Por isso, quando conquistamos ou somos conquistados, precisamos entender e aceitar a nossa própria responsabilidade nesse processo.

Segundo, a questão do “eternamente”…  Nada mais aprisionador e ameaçador do que essa palavra. “Nunca diga nunca’’ e ‘’pra sempre sempre acaba”. São frases sábias.

Não devemos nos prender a ninguém sob o pretexto eterno, simplesmente por culpa ou por nos sentir responsabilizado. Liberdade! A boa relação é renovada ou, não; a cada dia. É claro que não estamos falando de falta de compromisso. Antes, de um compromisso maduro baseado no amor voluntário e não, na culpa.

Enfim, em alguns pontos, o pequeno príncipe precisa crescer e amadurecer. Especialmente, quando se fala em conquista. Que ela seja responsável de ambos os lados e que, como diz o poeta, seja eterna enquanto dure. E tomara que dure muito.

 

 

”Uma Prosa Sobre o Passado” (clique aqui pra comentar)

Amitrano

O meu passado é feito de sons, imagens e cheiros.

Sim, tenho uma memória olfativa muito apurada…

Um aroma ancora a minha alma para sempre …

Também arquivo as minhas lembranças nas pastinhas das estações:

tem recordações do inverno,  da primavera, do verão… As do outono são as melhores! Passeios ecológicos,  páscoa,  dia das mães…

Ah, minha mãe.. E é claro,  meu amado pai…

Trago vivo em meu peito, gente que a morte fez questão de levar!

Ela não manda no meu peito, pelo menos, enquanto bate um coração!

O meu passado volta nos meus sonhos e escorre dos meus olhos

e esvai-se no rio do nada…

Um dia, muitas vezes, tem a cara de outro e isso me dá a sensação de viver em outra dimensão.

O tempo e o lugar só se encontram uma vez e depois, nunca mais…

Aliás,  “nunca” e “mais” são duas palavras tão antagônicas que não deveriam se encontrar…

Saudade é a saúde da alma… Dizem que só tem em português,  mas eu sei que o mundo todo sente.

E o que dizer dos amores da vida? Claro, jamais me esquecerei de nenhum deles. Todos foram pra sempre,  e hoje eu sei que “pra sempre” é um momento eternizado no coração.

Me lembro de tanta coisa que quase não me lembro de nada… Casas, filhos, amigos… Onde estão meus amigos? Sabe, já tive “melhores amigos” desde o jardim de infância! Será que eles se lembram de mim? Espero que sim.

E assim segue a vida. Cheia de lembranças, sons, imagens e cheiros… Pra onde será que vai tudo isso? Qual o sentido de tudo? Talvez seja simplesmente mostrar que ainda somos humanos…

”Onde Estava essa Gente?” (clique aqui para comentar)

Amitrano

De repente, tudo ficou diferente… Um bando de gente esquisita, negacionista, fascista; começou a aparecer. Brotou do chão. Eles surgiram em quantidade assombrosa.  Gente impiedosa, que inverte valores, que normatiza o bullying, o preconceito… Faz- me lembrar da célebre frase de Nelson Rodrigues: ‘’Os idiotas governarão o mundo. Não pela capacidade, mas porque são muitos. ’’ Profeta Nelson Rodrigues que conseguiu pelos olhos da ‘’profeticidade’’, enxergá-los na invisibilidade.

Imaginem se o Nelson pudesse vislumbrar o que está acontecendo hoje (escrevo do ano de 2020 da era cristã)… Essa explosão mundial de imbecilidade, inclusive, em países ditos desenvolvidos… Isso sim é o apocalipse. O final dos tempos. O aparecimento da besta. Digo, de muitas.

E onde elas estavam? Exatamente ao nosso redor. Sei que é muito dolorido e difícil admitir, mas estavam ao nosso lado… Eram vizinhos, colegas de trabalho, amigos, parentes e até cônjuges… Coisa de filme de vampiro, quando você convive com ele há muito tempo e não sabe.  Só descobre quando mostra os caninos… Vampiros por toda parte. Sugando a arte, a cultura, a ciência, o ecossistema, o respeito… E queimando aquilo que com sacrifício conseguimos.

Várias são as perguntas que surgem nessa nova era. Por que só agora? Qual foi o estopim para que a bomba estourasse? Muitas respostas filosóficas, sociológicas, psicológicas e até religiosas poderiam surgir. Mas do alto da minha pequenez, arrisco dizer que a causa está em nossas mãos. Quando desde os EUA o povo decidiu eleger um imbecil (fato esse imitado por muitos outros países, incluindo o Brasil), decidimos dar voz a tudo que é pertencente à boçalidade.

Um imbecil no poder. O que todos os outros poderiam esperar? É o auge. O clímax.  Aquilo que faltava para que os camuflados se manifestassem. Não tenho respostas, infelizmente. Não sei o que fazer a não ser ter esperanças numa nova eleição. Mas e depois? Ainda que tudo volte ao normal, o que faremos com esses que se revelaram? Como nos relacionaremos? Acredito que esse será o maior desafio. Não é a pós-pandemia, mas a pós-rataria… É esperar que tudo retorne aos esgotos e, depois, esquecer onde estava essa gente…. Será possível? Só o tempo dirá. Isso é, se o mundo não acabar antes (destruído por eles), é claro.