Boca a Boca

 

Amitrano

É pra você

Que eu faço bonito

Mesmo sem você me ver

Eu não acredito, e paro, e fito

Seus olhos no além

Como um mito ou como alguém que é onipresente

E os atos perfeitos, assim de repente

Eu dedico a você

E explode no peito um vazio imenso

E onde eu penso existir uma pomba

Existe um silêncio

Como Hiroshima depois da bomba

Quero lhe encarar boca a boca e dizer

O que meras palavras não são capazes de esclarecer

Deixar que essa febre louca se apodere de nós dois

Que a juventude corre nas bicas

O resto deixe pra depois

 

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Casa de Mãe

 

Amitrano

Quando vou à casa de mãe

Não saio de lá tão cedo

Tem bolo, café, chocolate

Ate lamber os dedos

Quando vou à casa de mãe

Parece que o tempo para

Porque pai e mãe são assim

Bem mais que joia rara

Quando vou à casa de mãe

Mulher reclama de mim:

– ‘’Homem cadê você, que demora tanto assim?’’

– ‘’Tô aqui, tô aqui, tô aqui, saio, não

Quando for, vou deixar o coração’’

 

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Cidade Nua

 

Amitrano e Rosanne Grinberg

Ando no meio da rua

Vagando ainda na sua

E tentando me perder, me procuro em você

Meu amor, eu sei, eu não vou lhe esquecer

No mar, no céu, no som

Vejo sua imagem

Não sei se é miragem ou assombração

Ao ar, ao léu, em vão

Essa paisagem

Olhe que bobagem do meu coração

Vejo a cidade nua

Apenas o clarão da lua

Dorme a vida em cada lar

Fim de festa, fim de bar

E eu não durmo enquanto não lhe achar

Em cada passo eu vou

Sem destino algum

Seguindo os seus passos a lugar nenhum, lhe busco nos altares

Em todos os lugares

Nos becos, boates, nos bares, nos mares

Eu sei que vou lhe achar

Preciso lhe encontrar

No fundo de você

Eu sei que vou lhe achar

 

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