Sabença

Amitrano

Foi numa dessas rodas de sabença

Que aprendi que não há crença

Que ponha ou tire o amor…

Sei que tem gente que assim pensa

E não há quem a convença

Mas não creio, não,  senhor

Porque até eu que sou lerdo de nascença

Mas vivi tanta sofrença

Aprendi com a minha dor

Que quando alguém sofre de doença

Pode tomar remédio ou bênção

Ou chá de boldo, sim, senhor

Mas quando o causo é benquerença

Ninguém muda a sentença

Nem benzedeira e nem doutor

 

OBRA REGISTRADA E TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Passado Presente

Amitrano

Tem dias que a saudade grita

As lembranças voltam

O passado ressuscita

E do olhar rola uma gota

De uma represa

Imensa

Do tamanho de uma vida

OBRA REGISTRADA E TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Bereshit

Amitrano

O poeta cria o seu próprio universo

Diz: “Haja poesia!”

Haja ordem no adverso

E une versos! E une versos!

Foi -se o primeiro dia

No princípio era o verbo

Ação que eclodia

Do seu próprio mundo interno

E submerso! E submerso!

Rimas  ricas

Frases caras

Surgem como uma explosão

Nada disso se compara

Ao que está no coração

Ele pare, ele apara

Ele ampara com sua mão

É tecido, é joia rara

É a força da criação

O poeta cria na palavra e no verso

Envia a poesia para um mundo controverso

E inconverso! E inconverso!

 

OBRA REGISTRADA E TODOS OS DIREITOS RESERVADOS