Último Poema

Amitrano

Quisera ir ao meu próprio funeral

Pena que estarei ausente

Só pra ver quem chora, quem grita e quem sai sorridente

Quisera eu nessa hora poder ouvir

A célebre frase que ecoa:

“Ele era uma boa pessoa”

Quem dera poder mirar do caixão

O choro dos arrependidos

E os pedidos de perdão

Receber as flores que em vida não ganhei

E fazer amigos que também não granjeei

Quem dera no meu velório

Poder dizer o quanto errei

Como estivesse em um auditório

Quem dera da minha cova

Poder sonhar com quem amei

Como estivesse em minha alcova

Abraçar a todos os presentes

E entender que os ausentes

Como eu, não estarão

E quando enfim, se fechar o meu caixão

E partir para a mais triste cena

Entre lágrimas e pétalas

Dedicar em minha lápide

O meu último poema

 

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