Édipo
Autor: Frederico Amitrano
Andar cego e errante é o meu destino
Pois tenho a sina de amante desde menino
Daquela que foi meu maior desatino
Quem dera dela andasse distante ⁷
É certo que tive o privilégio
De deitar-me com quem muitos sonham
E está aí o pior sacrilégio
Que me abate com grande peçonha
Não bastasse a insígnia da vergonha
De penetrar naquela da qual saí
Inda pesa a sanguínea façanha
De matar quem me fez existir
Oh, triste destino esse o meu
De ser conhecido por história tão nefasta
Só me resta o consolo meu e teu
De que todo homem tem sua “Jocasta”
