O título do presente artigo é intrigante, angustiante e desafiador. Mas é a
pura realidade.
Nenhum casamento resiste às sessões de Psicanálise! Por
que? Porque ou acaba ou melhora! É impossível continuar o mesmo. É como se diz
popularmente: "Ou vai ou racha!"
?
Nada é mais desafiador do que duas pessoas que decidem viver juntas debaixo do mesmo teto. O inferno é o outro, já dizia o filósofo.
No começo, tudo são flores... Geralmente, nos casamos com o espelho. Casamos com aquela pessoa que nos faz sentir melhores, mais bonitos, mais inteligentes, mais atraentes. Aquela sensação de ser ouvido, entendido, amado... Como é bom saber que existe alguém que nos considera uma pessoa mais sexy, inteligente e agradável. Ou seja, nos apaixonamos por nós mesmos num movimento narcísico que nos faz eleger outra pessoa como objeto ratificador do nosso "eu".
A questão é que o espelho embaça. Com o tempo, as diferenças emergem. As opiniões divergem e, da mesma forma como víamos uma imagem maravilhosa nesse espelho, começamos a ver a nossa dura realidade. Espelho, espelho meu...
É nesse ponto que muitos casamentos naufragam. É o fim da paixão cega que pode (ou não) dar início à experiência de amor. Aceitar as próprias falhas e as do outro, e decidir continuar baseado na realidade é um grande desafio.
Por isso, toda análise de pessoas casadas, inevitavelmente, acaba chegando nessa encruzilhada: Ou, nos lançamos em outra busca do nosso "eu ideal", ou aceitamos trabalhar cuidadosamente o nosso "ideal do eu" a fim de investir numa relação mais duradoura.
A única coisa que podemos afirmar sem medo de errar é que nenhum casamento resiste à análise.